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9 de novembro de 2013

O Herege, de Bernard Cornwell

Sinopse: Depois de participar do cerco de Calais, o arqueiro inglês Thomas de Hookton reúne um grupo de homens e viaja para o interior da França. Pretende tomar uma fortificação na Gasconha, perto da Astarac de seus antepassados, e assim chamar a atenção de seu primo Guy Vexille, o assassino de seu pai que, como Thomas, também segue a trilha do Santo Graal. Durante a jornada, deixa um rastro de aldeias saqueadas e, em uma delas, salva da fogueira uma jovem acusada de feitiçaria. Uma mulher que faz com que Thomas perca o controle sobre parte de seus guerreiros, ameaçando o sucesso da missão mais importante de sua vida: encontrar a maior relíquia de toda a Cristandade.

 A opinião que se segue abaixo pode ter alguns Spoilers dos livros anteriores e desse. Mas evitei colocar informações de grande importância. Você foi avisado.

 Opinião: Acabou, infelizmente. A trilogia A Busca do Graal acabou. Não queria que acabasse, a história é muito boa, e no final desse livro fica ainda melhor. Mas para compensar, Bernard lançou 1356, uma história do Thomas de Hookton, mas não faz parte da Busca do Graal. Para ler as resenhas anteriores, clique aqui e aqui.
 Entre condes, lordes, cardeais, padres, soldados, arqueiros e hereges, O Herege em vez de ter o desenrolar da história, dá mais um nó na corda, mas o desfecho da história é incrível.
 Thomas de Hookton está indo para Castillon d'Arbizon seguindo ordem do conde de Northampton para invadir e controlar o castelo. Thomas, junto com Sir Guillaume, Robbie e alguns arqueiros e soldados conseguem controlar o castelo. Lá, ele encontra uma mulher presa que foi condenada à fogueira, depois de sofrer torturas, pela Santa Igreja Católica por heresia. Thomas não acredita que ela seja uma herege e a solta. Robbie fica imediatamente apaixonado por ela, mas ela nem liga pra ele, mas sim para Thomas. Então Robbie fica furioso por isso e começa a considerar Genevieve uma herege que deve ser queimada.
 Também temos como personagens principais nesse livro o conde de Berat, que acho que nem fala o nome dele, não consegui achar, e seu sobrinho, Joscelyn, que é insuportável, igual ao Lancelot d'As Crônicas de Artur do mesmo autor. O conde de Berat fica sabendo da busca do Graal e também começa a procurar em suas terras e em Astarac, um feudo que existiu e era subordinado a ele. Outro personagem que eu não fui com a cara dele foi o cardeal arcebispo de Livorno, que quer a qualquer custo conseguir o Graal para sentar-se no Trono de Pedro.
 Não vou falar muito da história senão dou spoilers desagradáveis para quem ainda não leu. Eu tinha me esquecido um pouco da fisionomia de Thomas, e nesse último livro é falado, e vou passar para vocês que leram e esqueceram como Thomas é: alto, cabelos pretos, faces cavadas, vigilantes olhos pretos, nariz quebrado em uma briga e posto no lugar de forma errada, sem contar com as queimaduras e os dedos tortos da mão feita pelo padre Bernard de Taillebourg, um Inquisidor. Thomas está mais envolvido com a busca do Graal. Uma coisa que eu gosto em Bernard, o escritor, é que ele fala de algumas coisas reais, como na passagem: "A Igreja não queimava hereges, simplesmente condenava e depois os pecadores eram entregues ao poder civil para que fossem mortos. Dessa maneira, a Igreja mantinha as mãos limpas, Deus recebia a garantia de que sua Igreja estava pura e que o diabo ganhara uma alma."
p. 73. Bernard sempre coloca a verdade da Igreja da época, e como disse no post de O Andarilho, as pessoas acabavam acreditando na mentiras que a Igreja contava, que não eram poucas. Voltando a Thomas, uma cena que eu ri muito foi em uma conversa entre ele e Genevieve em que ele diz: "Eu sou um arqueiro, e um arqueiro danado de bom (...)". Falando em Genevieve, ela é alta, branca e linda, mas possui inúmeras queimaduras feita por um dominicano, os guerreiros de Deus que combatiam a heresia e fazia torturas para obter a verdade, e mesmo assim Thomas a acha linda. Ela é um pouco misteriosa no começo, mas depois você acaba gostando dela também. Ela é condenada à fogueira por heresia e por ser também uma beguina (beguinos são mendigos, que negam a Igreja e a necessidade de trabalhar e alegam que todas as coisas vem de Deus, e portanto, todas as coisas devem ser gratuitas para todos os homens e mulheres. E a Igreja, corrupta e gananciosa, queimava os beguinos sempre os encontravam, acusando-os de hereges).
 Sir Guillaume é um personagem que muda de lado no segundo livro, e tenta conseguir dinheiro pra tomar o seu feudo de volta. Ele diz que a guarnição de inglese em Castillon d'Arbizon é a távola redonda, e assim, mais uma vez de novo novamente, o Rei Artur é citado na trilogia. Robbie acaba ficando chato com o decorrer da história, abandona Thomas à sua própria sorte só porque Thomas é apaixonado por Genevieve, e ele só faz burrice depois disso.
 Como gosto da Idade Média, quero passar para vocês uma excomungação que Bernard coloca nesse livro, e que vocês devem saber de quem é: "Em nome de Deus, o Pai todo-poderoso, e em nome do Filho, e em nome do Espírito Santo, e em nome de todos os santos, e em nome do Santo Padre, Clemente, e graças ao poder que nos foi concedido de separar e unir no céu aquilo que for separado e unido na terra, eu o intimo, Thomas! Eu o intimo! (...) É sabido que você, Thomas, certa vez batizado em nome do Padre, do Filho e do Espírito Santo, deixou a sociedade do corpo de Cristo ao cometer o pecado de dar consolo e abrigo a uma herege e assassina condenada. Por isso agora, com dor no coração, nós o privamos, Thomas, (...), da comunhão do corpo e do sangue do nosso Senhor Jesus Cristo. (...) Nós o separamos da sociedade de todos os cristãos e o excluímos de todos os recintos santos. (...) Nós o banimos do seio de nossa santa madre Igreja no céu e na terra. (...) Nó declaramos você, Thomas, excomungado e o julgamos condenado ao fogo eterno de Satã e todos os seus anjos e todos os réprobos. Nós o declaramos amaldiçoado por esse fato malévolo (...). p. 196-197. Ficou maior do que eu pensei, mas vale a pena dar uma lida, eu me senti como Thomas quando a excomungação terminou, sozinho na escuridão. E antes de terminar, a Peste Negra começa a fazer suas vítimas no final do livro que dizimou quase um terço da população da época. Espero que em 1356, a Peste Negra tenha um enfoque um pouco maior.
 É isso, ficou um pouco grande, mas espero que eu tenha colocado tudo de importante sem dar grandes spoilers. Se você gostou da resenha, não esqueça de comentar. Seu comentário é muito importante para mim.

25 de outubro de 2013

O Andarilho, de Bernard Cornwell

Sinopse: O Santo Graal, a Relíquia Sagrada da Cristandade, inspirou muitas obras-primas da literatura. Tornou-se o mais mítico dos objetos, imortalizado no imaginário de todo o mundo ocidental. Sua lenda é normalmente ligada às histórias de Artur e seus cavaleiros, mas, desta vez, a imaginação de Bernard Cornwell transporta a saga de sua busca para o século XVI, em plena Guerra dos Cem Anos entre Inglaterra e França.
 O Andarilho é o segundo capítulo desta aventura, iniciada com o empolgante romance O Arqueiro. Após sobreviver à Batalha de Crécy, Thomas de Hookton, o valente arqueiro inglês, é enviado pelo Rei numa missão na qual teria de descobrir mais sobre o legado de seu pai, que parece ligado ao Graal. Mas Thomas acaba envolvido na luta contra um exército invasor e, nas fileiras inimigas, descobre que há outros na trilha do objeto sagrado. Homens que não se deterão diante de obstáculo algum. Thomas, então, volta à sua aldeia natal em busca de um indício que possa colocá-lo no caminho certo. E encontra pistas que o deixam sob risco ainda maior e que apontam novas direções para sua missão.
 Entre arqueiros, mercenários, reis, monges, guerreiros, cardeais, inquisidores, nobres e lindas mulheres, Thomas atravessa a Europa e leva os leitores deste romance em uma viagem inesquecível pelo século XVI. Cornwell confirma com O Andarilho a reputação conquistada com sua releitura das aventuras de Artur e seus cavaleiros. Um livro apaixonante sobre um dos períodos mais conturbados da história inglesa.

 A opinião que se segue abaixo pode ter alguns Spoilers do livro anterior e desse. Mas evitei colocar informações de grande importância. Você foi avisado.

 Opinião: O Andarilho é o segundo volume da trilogia "A Busca do Graal", como já disse na sinopse. Para ler a resenha de O Arqueiro clique aqui. Não sei muito bem por onde começar, esse livro tem novos personagens, que são bem interessantes, como o padre Bernard de Taillebourg, e seu criado; Sir William Douglas, Robbie etc. Mas também temos os velhos, Sir William Skeat, Mordecai, Jeanette etc. Mas vamos começar com Thomas, o arqueiro mais querido da literatura, né Fernanda?
 Thomas de Hookton está, já no começo do livro, em Durham, norte da Inglaterra, perto da fronteira com a Escócia, e uma batalha está em andamento. Thomas, sendo inglês, não pode deixar de lutar em nome de Sua Majestade, o Rei Eduardo III da Inglaterra. Após a batalha ter terminado, e a Inglaterra ganhar por pouco, Thomas descobre que Eleanor, sua futura esposa, e o padre Hobbe, seu amigo, estão mortos. Eu não queria colocar isso aqui, mas se não colocasse vocês poderiam se perguntar o que aconteceu com os dois. Enfim, não acreditei quando li isso, não mesmo, não esperava isso. Se fosse o tio Martin quem tivesse escrito o livro eu ficaria esperando isso.
 Depois dessa pequena escaramuça, Thomas, junto com Robbie, um prisioneiro escocês, retorna à sua aldeia, Hookton (onde seu primo fez um ataque à quatro anos e meio, segundo Thomas), para tentar descobrir o que seu pai fez com o Graal. Mas enquanto ele está indo para Hookton, outras pessoas o estão seguindo, mas para o lugar errado. É ali em Hookton, em em Durham, que Thomas sabe mais um pouco sobre seu pai, o padre Ralph Vexille. E após um tempo, ele e Robbie seguem para a França. Thomas está mais religioso nesse livro. Mas sempre suspeita se o Graal realmente existe.
 Robbie é um bobo, se apaixona por tudo "que tenha peitos", segundo Thomas. Robbie acaba fazendo uma amizade com Thomas, mesmo ele sendo um escocês e Thomas um inglês. Ri um pouco com Robbie, ele é um personagem que eu espero ver de novo em O Herege.
 Alguns personagens tem alguns "lapsos (não achei palavra melhor) de capítulos", como o Cardeal Arcebispo de Livorno, que trama, junto com de Taillebourg, em como conseguir o Graal, e também ele sonha que conseguir o Graal é apenas uma etapa para ele sentar no Trono de Pedro, que está em Avignon, e o cardeal arcebispo pensa em levá-lo para Île de la Cité, em Paris, e transformar a Catedral de Notre Dame na nova Basílica de São Pedro, mas isso não é tão importante assim na história. Outros personagens tem "capítulos" assim, mas agora não lembro, desculpem.
 Bernard de Taillebourg é um padre francês que está atrás do Graal também, com ordens do Santo Padre. Ele aparece no começo do livro em Durham, junto com seu criado, que não vou falar quem é porque é uma pessoa importante na história. De Taillebourg é um Inquisidor da Igreja Católica, e tem uma parte em que ele faz seu trabalho no livro. Essa foi uma parte interessante de se ler, porque quando ele fala da Inquisição e de Deus, na época você acabava acreditando no que ele falava. Como na passagem a seguir: "A Igreja nos dá autoridade para interrogá-lo (...), mas na sua infinita misericórdia ela também nos ordena que não derramemos sangue. Podemos usar a dor, na verdade é nosso dever empregar a dor, mas tem de ser dor sem derramamento de sangue. Isso significa que podemos usar o fogo (...) e podemos apertá-lo e podemos esticá-lo, e Deus irá nos perdoar, porque isso será feito em Seu nome e a Seu santíssimo serviço." p.347-348. Não só isso, tem mais coisas, mas isso na época acabava convencendo as pessoas de que a Inquisição era uma coisa boa.
 Eu não quero falar muito senão acabo dando spoilers sem querer. Para terminar quero fazer alguns comentários. Artur é citado de novo nesse livro. É descrito o arco de Thomas, e ele é muito legal, quero um. Os Cavaleiros do Apocalipse também são citados, e a descrição é bem feita por Thomas. Alguém, que não lembro quem foi, acho que foi Sir Guillaume, fala que Calais é o c* da França, por ficar em uma região pantanosa. A descrição e o funcionamento de um trabuco é muito bem feita por Cornwell. As arqueiros correndo do escoceses no começo do livro nos faz parecer que estamos que estamos realmente em Durham.
 Bem, é isso. Mais uma vez gostei de um livro do Bernard, e como não gostar? (A exceção, para mim, foi O Forte, não que eu não tenha gostado, mas ele é um pouco confuso de se ler). Thomas e os personagens secundários são muito bem construídos e a escrita é tão boa, que parece que você está lá, batalhando junto com o arqueiros da Inglaterra. O Andarilho é um livro muito bom, e poucos autores conseguem fazer o que Bernard faz. Uma trilogia que recomendo.

11 de abril de 2013

O Arqueiro, de Bernard Cornwell

 Sinopse: Aos 18 anos apenas, Thomas vê seu pai morrer em seus braços após um ataque-surpresa à aldeia de Hookton. Um lugar simples que escondia um grande segredo: a lança usada por São Jorge para matar o dragão, uma das maiores relíquias da cristandade.
 Em busca de vingança contra um homem conhecido apenas como Arlequim, o rapaz, um arqueiro habilidoso, se junta ao exército inglês em campanha na França, onde se envolve em batalhas e aventuras que, sem perceber, lançam-no na busca do lendário Santo Graal.

 Aviso: Tentei evitar ao máximo colocar Spoilers, mas talvez tenha um ou outro. Você foi avisado.

 Opinião: Esse é o primeiro volume da trilogia A Busca do Graal, e que estava há um bom tempo parado na minha estante. Quando terminei de ler O Temor do Sábio, não sabia que livro começar, estava de "ressaca literária". Mas durou pouco tempo (quando li A Dança dos Dragões fiquei uma semana sem ler). Bem, vamos ao que interessa.
 Thomas mora em uma pequena aldeia, Hookton, nas margens do Canal da Mancha. Seu pai sempre quis que ele se tornasse um padre, e proibia Thomas de ter um arco. Em uma noite de Páscoa, que julgava ser tranquila, um grupo de homens franceses invadem a pequena aldeia para roubar a lança de São Jorge, que fica pendurada na pequena igreja da aldeia. O homem que diz ser o Arlequim mata o pai de Thomas antes de levar a lança. Thomas recebe uma missão de seu pai moribundo de recuperar a lança e vingar-se. Isso é uma parte do prólogo (não coloquei alguns detalhes para vocês lerem).
 Alguns anos depois, Thomas encontra-se na Bretanha, França, combatendo na Guerra dos Cem Anos, a maior guerra que a Europa já tinha visto. Ele não está nem aí para a lança, só quer lutar para seu país e encontrar o Arlequim. Mas um padre (acho que é Hobbe) fica lembrando-o da sua "promessa" para com seu pai. É também na Bretanha que Thomas faz um inimigo, Sir Simon Jekyll, por causa de uma mulher, Jeanette, a condessa de Armórica.
 Depois que Thomas deixa a Bretanha, por motivos que não falarei aqui, ele vai, acompanhado, até a Normandia, mais especificamente para Caen. Depois de algumas lutas, Thomas vê-se em uma missão que mudará para sempre sua vida: recuperar a lança de São Jorge, vingar a morte de seu pai e ir em busca do lendário Santo Graal. Estava esquecendo, Thomas faz alguns amigos que batalham ao seu lado e o ajudam quando precisa. Também começa a encontrar "pistas" sobre o Arlequim e o roubo da lança.
 Outra mulher na vida de Thomas é Eleanor, filha de um dos homens que invadiu Hookton. Ela é bem novo (15 anos), mas na Idade Média 15 anos já era uma mulher feita e tinha que se casar.
 Uma coisa que gostei muito foi colocar os padres e bispos como guerreiros durante a guerra (padre Hobbe é um deles). Na Idade Média, a Igreja não servia apenas como religião, mas como força militar, em parte. Outra coisa também é ter um "fundo" religioso, sempre falando da Bíblia ou de algum santo. Já está bom, leiam para saber mais.
 "Cornwell demostra ser imbatível nas descrições de batalhas e dos homens que as lutam" - The Mirror. Acho Martin melhor (quem leu A Fúria dos Reis sabe do que estou falando), mas sou não posso falar disso, porque sou um fã (e tanto, rs) de Martin. Estou doido para ler O Andarilho, mas ainda tenho que comprar, enquanto isso, leio Elantris, que por sinal estou gostando muito, na resenha do mesmo comento mais. Até mais.